5 sinais de endometriose que impactam a saúde e a fertilidade

A endometriose é uma doença crônica que afeta milhões de mulheres no Brasil e no mundo, muitas vezes de forma silenciosa e sem diagnóstico precoce. O problema ocorre quando o tecido que reveste o útero internamente, o endométrio, cresce fora do útero, podendo atingir ovários, trompas, intestino, bexiga e, em casos mais raros, o diafragma e até a região pulmonar. Embora as causas da endometriose ainda não sejam totalmente compreendidas, a doença provoca uma série de sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida da mulher.

A seguir, veja cinco sinais de alerta que podem indicar a presença da endometriose:

1- Cólica menstrual intensa
Cólicas incapacitantes são um dos sinais mais comuns de endometriose. Segundo o ginecologista e especialista em reprodução humana da clínica Nilo Frantz, Dr. Paulo Tudech, a dor geralmente se manifesta de forma intensa, especialmente durante a menstruação, e pode atrapalhar atividades do dia a dia, como trabalhar, estudar ou até mesmo sair de casa. “Se a dor é tão forte que a mulher classifica como sete ou mais em uma escala de zero a dez, é fundamental procurar um médico para investigação. Muitas vezes, a paciente acha que a dor é ‘normal’, mas cólicas muito fortes, que limitam a rotina, são um sinal de alerta importante para endometriose”, orienta o especialista.

2- Dor durante as relações sexuais
A dor durante ou após o sexo, chamada de dispareunia, também é um sintoma frequente da endometriose. Isso acontece porque o tecido endometrial pode crescer em regiões próximas ao fundo da vagina, nos ligamentos uterinos ou no reto, tornando a penetração dolorosa.

3- Dor ao urinar e evacuar
Quando a endometriose atinge o intestino ou a bexiga, é comum a mulher sentir dor ao urinar ou evacuar, principalmente durante o período menstrual. Em alguns casos, também pode haver sangramento ao urinar ou nas fezes durante o ciclo. “Esses sintomas indicam que o tecido endometrial pode ter infiltrado essas regiões, causando inflamação e até aderências. É fundamental investigar esses sinais para evitar complicações mais graves”, alerta o especialista.

4- Inchaço abdominal e cansaço
O inchaço abdominal frequente, acompanhado de sensação de desconforto, pode estar relacionado ao processo inflamatório crônico provocado pela endometriose. A mulher também pode sentir o intestino mais lento, além de cansaço excessivo, que é resultado não apenas do impacto físico da doença, mas também do desgaste emocional e mental que ela provoca.

5- Dificuldade para engravidar
A endometriose é uma das principais causas de infertilidade feminina. Embora não impeça necessariamente a ovulação, ela pode prejudicar a qualidade dos óvulos, alterar a função das trompas e, em casos mais graves, infiltrar o útero (quadro conhecido como adenomiose), aumentando o risco de abortos espontâneos. “Estima-se que cerca de 50% das mulheres com endometriose tenham dificuldade para engravidar, mas isso não significa que a gravidez seja impossível. Muitas mulheres conseguem engravidar naturalmente, enquanto outras podem precisar de técnicas como fertilização in vitro ou congelamento de óvulos. Cada caso é único e deve ser avaliado por um especialista”, orienta o ginecologista.

Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da endometriose exige exames de imagem de alta precisão, como o ultrassom transvaginal com preparo intestinal — considerado o padrão ouro — ou a ressonância magnética com preparo específico. O tratamento depende do estágio da doença e do desejo de gestação. Em muitos casos, o uso de medicações hormonais para suspender a menstruação é suficiente para aliviar os sintomas. No entanto, em quadros mais graves ou quando há desejo de engravidar, podem ser indicados o congelamento de óvulos ou embriões e a fertilização in vitro. “É importante lembrar que a endometriose é uma condição complexa, que exige atenção, acolhimento e tratamento individualizado. Informação e cuidado especializado fazem toda a diferença para a mulher viver com mais saúde e qualidade de vida”, ressalta o ginecologista e especialista em reprodução humana Dr. Paulo Tudech.

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