Após dez anos da implementação do programa para rastreamento, tratamento do câncer do colo do útero ainda tem barreiras

Instituído pela Portaria nº 189 do Ministério da Saúde em 2014, este ano o Serviço de Referência para Diagnóstico e Tratamento de Lesões Precursoras do Câncer do Colo de Útero completa dez anos com diversos desafios como a prevenção por meio da vacinação contra o Papilomavírus Humano (HPV), vírus causador desse tipo de tumor, e da realização do exame Papanicolau. É o que alertam especialistas durante o ESMO Summit Latin America 2024, que acontece nesta sexta-feira (22) e sábado (23), em São Paulo (Hotel Renaissance – Alameda Santos, 2233, Jd. Paulista).

A Drª Angélica Nogueira Rodrigues, médica oncologista e presidente eleita para 2025 da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), explica que o câncer do colo de útero é prevenível através da vacinação de meninas contra o HPV e da realização do Papanicolau entre mulheres adultas. Porém, a adesão da população ainda é baixa no Brasil onde, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer do colo do útero é o quarto mais incidente.

Anualmente, são esperados 17 mil casos novos de câncer do colo do útero no Brasil, o que representa uma taxa de incidência de mais de 15 casos para cada 100 mil mulheres, número quase quatro vezes maior que a meta da Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Aspectos como a falta de conhecimento dificultam a vacinação contra o HPV. Além disso, apenas 20% da população-alvo realiza periodicamente o Papanicolau, bem abaixo da meta de 70% da OMS. Em nosso País, onde o Papanicolau tem mais de cinco décadas como política de saúde, a mortalidade se mantém estável, demandando uma reflexão sobre nossas estratégias”, explica Rodrigues, durante o evento realizado pela SBOC e pela Sociedade Europeia de Oncologia Médica (ESMO, da sigla em inglês).

Novas perspectivas – No último dia 7 de março, a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec/SUS) aprovou a incorporação da testagem molecular como meio de detecção do HPV para rastreamento do câncer do colo do útero. Na prática, o teste é uma alternativa ao Papanicolau e permitirá diagnosticar mais mulheres com menos exames no serviço público de saúde, pois, se negativo, poderá ser repetido apenas após cinco anos.

“Essa é uma conquista a ser comemorada, afinal o Brasil tem o maior PIB da América Latina e também é o País da nossa região com pior índice de incorporação de novas tecnologias para o diagnóstico e tratamento do câncer”, analisa Rodrigues, que também é professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A SBOC se coloca à disposição dos veículos de imprensa para comentar sobre a epidemiologia, a prevenção, o diagnóstico, o tratamento e as políticas de saúde sobre o câncer do colo do útero no Brasil. Durante o ESMO Summit, os especialistas podem ceder entrevistas gravadas e ao vivo.

Confira a programação completa do ESMO Summit: Link.

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