Cresce 16% o número de clínicas de reprodução assistida no país desde 2020

Congelamento de embriões e maternidade tardia impulsionam segmento

O número de clínicas de reprodução humana assistida aumentou 16% desde 2020, chegando a 193 estabelecimentos em todo o país. Esse salto é impulsionado pela procura por congelamento de embriões, um recurso usado cada vez mais por mulheres que desejam postergar a gravidez. O procedimento acumula alta superior a 200% desde 2012 e alcançou quase 100 mil embriões congelados ano passado, segundo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária)¹.

“Não é apenas a gestação que as mulheres estão postergando, mas também o momento de decidir entre ser mãe ou não”, afirma a Dra. Maria do Carmo Borges de Souza, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA). Como as mulheres nascem com o número total de óvulos disponíveis já definido e, ao longo do tempo, esse número vai diminuindo, o congelamento se torna uma alternativa para aumentar a chance de uma gestação tardia sem intercorrências.

A maternidade tardia, a partir dos 35 anos, apresenta tendência de crescimento há mais de duas décadas no Brasil. Em 2000, apenas 9,1% dos bebês eram nascidos de mulheres nessa faixa etária. Vinte anos depois, em 2020, esse percentual passou para 16,5%. Em contrapartida, a fecundidade entre 20 e 34 anos caiu de 67,4% para 57,8%, uma redução de quase dez pontos percentuais², segundo o Ministério da Saúde.

O grande desafio é ter uma gravidez saudável a partir dos 35 anos, quando a idade da mulher começa a se tornar avançada para uma gestação³. Nessa faixa etária, a fertilidade cai rapidamente. Enquanto uma mulher com 31 a 35 anos tem 16% de risco de infertilidade, esse percentual quase dobra para 30% entre 36 e 40 anos, e avança ainda mais para 65% entre 41 e 45 anos4.

Com a coleta dos óvulos no processo de reprodução assistida, seja para congelamento do gameta ou do embrião, o procedimento evita que o efeito do tempo potencialize a infertilidade. Assim, a mulher pode escolher o momento mais adequado, por razões médicas ou pessoais, para a gestação.

Embriões congelados

Em todo o país, as clínicas de fertilidade somam mais de 284 mil embriões congelados nos últimos três anos. Somente entre 2020 e 2022, o número de congelamentos aumentou 19,5%, reforçando a tendência de gravidez tardia¹. Vale lembrar que os dados compilados pela ANVISA dizem respeito ao congelamento de embriões e não contabilizam os óvulos congelados.

São Paulo lidera o ranking nacional, com 53 mil embriões congelados ano passado. Em seguida, Rio Grande do Sul com 6.816, Minas Gerais com 5.830 e Rio de Janeiro com 5.160¹. O passo seguinte ao congelamento dos embriões, quando a mulher decide pela gravidez, é a realização do tratamento que possibilita que ela receba o embrião.

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