Dia Mundial da Fertilidade reforça a importância do planejamento reprodutivo sem culpa ou pressão

Especialista destaca os impactos da idade, de doenças ginecológicas e da saúde emocional na jornada para a gravidez

Celebrado em 4 de junho, o Dia Mundial da Fertilidade chama atenção para a importância do planejamento reprodutivo baseado em informação, acolhimento e acompanhamento médico. Em um cenário em que cada vez mais mulheres adiam a maternidade por razões profissionais, financeiras ou pessoais, especialistas alertam que conhecer os fatores que influenciam a fertilidade é fundamental para decisões conscientes sobre o futuro reprodutivo.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas enfrenta infertilidade em algum momento da vida. A condição pode estar relacionada a fatores femininos, masculinos, ao casal ou até permanecer sem causa identificada nos exames iniciais.

De acordo com o ginecologista e obstetra Dr. Fabiano Elisei Serra, do Hospital e Maternidade Pro Matre Paulista, o tema precisa ser abordado com responsabilidade e sem estigmas.

“A mulher não deve ser responsabilizada por adiar ou não conseguir engravidar. A vida reprodutiva é atravessada por fatores sociais, afetivos, profissionais, financeiros e de saúde. O papel da medicina é oferecer informação clara, acolhimento e alternativas seguras para que cada paciente possa tomar decisões conscientes”, afirma.

O impacto da idade na fertilidade

Entre os fatores mais conhecidos está a redução progressiva da reserva ovariana ao longo da vida. A partir dos 35 anos, essa diminuição tende a se tornar mais acelerada, reduzindo as chances de gravidez espontânea e influenciando os resultados de tratamentos de reprodução assistida.

Para o especialista, entretanto, o chamado “relógio biológico” não deve ser tratado de forma alarmista.

“O relógio biológico não deve ser usado como ameaça. Trata-se de uma informação médica importante. Quando a paciente compreende como a fertilidade se comporta ao longo do tempo, consegue avaliar possibilidades e planejar o futuro reprodutivo com mais autonomia”, explica.

Congelamento de óvulos amplia possibilidades

Entre as estratégias de preservação da fertilidade está o congelamento de óvulos, indicado principalmente para mulheres que desejam postergar a maternidade ou que enfrentam condições capazes de comprometer a reserva ovariana.

O procedimento consiste na coleta e armazenamento dos óvulos para uso futuro. Em geral, quanto mais jovem a mulher realiza o congelamento, melhores tendem a ser os resultados relacionados à qualidade dos óvulos. Por isso, especialistas recomendam que a orientação médica seja considerada, preferencialmente, entre os 30 e 34 anos, quando houver o desejo de adiar a gestação.

“O congelamento de óvulos não representa uma garantia de gravidez futura. É uma ferramenta de preservação da fertilidade cuja indicação deve considerar idade, reserva ovariana, histórico clínico e expectativas da paciente”, ressalta o médico.

Saúde emocional também faz parte do tratamento

A busca pela gravidez pode trazer impactos significativos para a saúde mental. Tentativas frustradas, perdas gestacionais, tratamentos hormonais e a pressão social frequentemente geram ansiedade, frustração e sofrimento emocional.

“A jornada da fertilidade pode ser extremamente solitária quando não existe escuta e acolhimento. Em muitos casos, o suporte psicológico é tão importante quanto o acompanhamento médico, pois auxilia na elaboração das expectativas, das perdas e das decisões ao longo do processo”, destaca.

A avaliação especializada costuma ser recomendada para casais que tentam engravidar há pelo menos 12 meses sem sucesso. Para mulheres com 35 anos ou mais, o período geralmente é reduzido para seis meses. Casos de endometriose, síndrome dos ovários policísticos (SOP), ciclos menstruais irregulares, histórico de cirurgias ovarianas, infecções pélvicas, tratamentos oncológicos ou menopausa precoce na família podem justificar investigação ainda mais precoce.

Mais do que uma data de conscientização, o Dia Mundial da Fertilidade reforça a necessidade de ampliar o debate sobre saúde reprodutiva de forma aberta, acolhedora e baseada em evidências, permitindo que mulheres e casais façam escolhas informadas sobre fertilidade, preservação da fertilidade e maternidade.

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