Dia Nacional do Combate ao Câncer: Conheça as diferenças entre endometriose e câncer do endométrio

Ginecologista diferencia as duas condições que afetam o aparelho reprodutor feminino e destaca a importância do diagnóstico precoce

Quando uma mulher é diagnosticada com endometriose, uma das dúvidas mais comuns é se a doença pode evoluir para o câncer de endométrio. Apesar de serem condições que afetam o aparelho reprodutor feminino, uma não está conectada à outra. A endometriose é causada quando o tecido que reveste o útero cresce fora dele. Esta condição não é cancerosa e não é mortal, mas pode afetar significativamente a qualidade de vida.

De acordo com o Ministério da Saúde, uma em cada dez mulheres sofre de endometriose no Brasil. Cólicas, dores na relação sexual e infertilidade são alguns sintomas da doença. Sem tratamento, ela pode atingir formas graves, como a chamada endometriose profunda, que tem sintomas mais severos.

A endometriose não é câncer e não costuma aumentar o risco de desenvolvê-lo. O câncer de endométrio é uma doença maligna motivada pela proliferação anormal das células do endométrio. Esse é o terceiro tumor ginecológico mais comum no país, superado apenas pelo câncer de colo do útero e de ovário. Em 2020, 1,9 mil mulheres morreram por câncer de endométrio no Brasil, segundo o Atlas da Mortalidade por Câncer, e mais de seis mil brasileiras podem ser diagnosticadas com a doença esse ano, de acordo com uma estimativa do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Para o ginecologista Patrick Bellelis, colaborador do setor de endometriose do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, alguns sintomas podem confundir-se. “Apesar de serem patologias diferentes, a endometriose e o câncer de endométrio possuem sintomas semelhantes. Nos dois casos, a mulher pode ter sangramento vaginal incomum ou outro tipo de corrimento e dor pélvica. Porém, enquanto a endometriose pode causar infertilidade, isso é mais difícil de acontecer com quem tem câncer de endométrio. Além disso, em casos de câncer, a paciente pode ter perda de peso e a presença de uma massa no abdômen”, especifica Bellelis.

Como o câncer de endométrio afeta, principalmente, mulheres que chegaram à menopausa, em geral acima dos 60 anos, é comum nesses casos observar melhor o sangramento anormal.

Diagnóstico precoce

Em ambas as condições, o mais importante a destacar é a necessidade de acompanhamento periódico para obter um diagnóstico o mais breve possível. Em geral, mulheres levam cerca de dez anos para serem diagnosticadas com endometriose. Esse atraso pode fazer a condição piorar e a necessidade de cirurgia ser mais iminente. “A maioria das mulheres acaba normalizando sintomas que não devem ser ignorados, como as cólicas menstruais. Muitas só procuram ajuda quando associam a infertilidade à endometriose”, relata Bellelis.

O médico enfatiza que quanto mais cedo a paciente for diagnosticada, mais simples será o tratamento. “Ao procurar avaliação médica, serão feitos exames específicos, como ultrassom ou ressonância magnética, e a partir daí é indicado o melhor tratamento, que pode ser hormonal ou, em alguns casos, cirúrgico.”

Já no caso de câncer, as consequências podem ser ainda mais drásticas, como destaca Bellelis. “No caso do câncer de endométrio ou de qualquer outro tipo de câncer, o diagnóstico precoce pode salvar vidas. Por isso, é tão importante estar atenta aos sinais do corpo e fazer um acompanhamento médico periódico. Somente exames específicos podem detectar ambas as doenças”, conclui o ginecologista.

Clínica Bellelis – Ginecologia

O ginecologista Patrick Bellelis é Doutor em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP); graduado em medicina pela Faculdade de Medicina do ABC; especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Laparoscopia e Histeroscopia pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo); além de ser especialista em Endoscopia Ginecológica e Endometriose pelo Hospital das Clínicas da USP. Possui ampla experiência na área de Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva, atuando principalmente nos seguintes temas: endometriose, mioma, patologias intrauterinas e infertilidade. Fez parte da diretoria da Associação Brasileira de Endometriose e Ginecologia Minimamente Invasiva (SBE) de 2007 a 2022, além de ter integrado a Comissão Especializada de Endometriose da FEBRASGO até 2021. Em 2010, tornou-se médico assistente do setor de Endometriose do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia do Hospital das Clínicas da USP; em 2011, tornou-se professor do curso de especialização em Cirurgia Ginecológica Minimamente Invasiva — pós-graduação lato sensu, do Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital Sírio Libanês; e, desde 2012, é professor do Instituto de Treinamento em Técnicas Minimamente Invasivas e Cirurgia Robótica (IRCAD), do Hospital de Câncer de Barretos.

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