Clínicas de reprodução humana apostam em arquitetura e design colaborativo em prol de um ambiente que promova saúde e bem-estar

Bia Gadia*

O mundo da reprodução assistida vai muito além de uma intervenção médica. São vidas compartilhando experiências de tentantes, trazendo histórias, informações, empatia e acolhimento para a jornada rumo à realização do sonho de ter filhos. Quando falamos em experiência, falamos em ambiência na saúde, que compreende os espaços físico, social, profissional e de relações interpessoais, que devem estar em sintonia com um projeto de saúde voltado para a atenção acolhedora, resolutiva e humanizada.

Em clínicas de reprodução humana, é importante conceber ambientes confortáveis e seguros, de modo a favorecer a privacidade e a individualidade dos usuários. É necessário valorizar a utilização de componentes do ambiente que interagem com as pessoas (em especial, a cor, a luz, as texturas, os sons, os cheiros, o paisagismo envolvendo os espaços e a inclusão da arte nas suas mais diferentes formas de expressão). Estes componentes atuam como qualificadores e modificadores do espaço, estimulando a percepção ambiental e, quando utilizados com equilíbrio e harmonia, criam espaços acolhedores que podem contribuir no processo de produção de saúde e de espaços saudáveis.

A ambiência isoladamente não altera o processo de trabalho, mas é uma ferramenta que contribui para as mudanças, por meio da cocriação dos espaços aspirados pelos profissionais de saúde e pelos usuários, com funcionalidade, possibilidades de flexibilidade, garantia de biossegurança relativa à infecção hospitalar, prevenção de acidentes biológicos e com arranjos que favoreçam a todos.

Para as clínicas de reprodução humana, a discussão do espaço físico deve ser usada como algo colaborativo entre os usuários, possibilitando a criação de ambientes coletivos para a discussão dos projetos arquitetônicos e intervenções na ambiência. Interferir em um espaço físico vai além da arquitetura prescritiva, que diz o que pode ou não ser feito.

Ao serem criados esses espaços coletivos, com a inclusão de diferentes saberes para as discussões da transformação na ambiência, se favorece a problematização sobre os modos de operar, as práticas instituídas e os processos de trabalho nesses locais, contribuindo para o aumento da capacidade de análise e intervenção sobre esses processos e a construção de novas situações, relações de trabalho e convivência.

Na prática, significa adotar uma postura que se preocupa com a construção de um ambiente de saúde que não mais se constitua em um espaço frio e hostil, e, sim, um espaço acolhedor em atos, fluxos e aparência. Ou seja, que possibilite aos olhos e às sensações dos usuários o acolher nos mínimos detalhes, o que se perceberá na fluidez clara dos passos dentro da unidade, no ambiente constituído de cores e design harmonizados, de iluminação confortável, de temperatura agradável, de cheiros e sons relaxantes. Um ambiente receptivo e humanizado que, magicamente, impulsionará a produtividade, o acolher e o cuidar.

* Arquiteta e designer, CEO da Bia Gadia Arquitetura e Design.

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