Mês de Conscientização da Infertilidade: cerca de 8 milhões de pessoas sofrem com essa condição no Brasil

Na área médica, junho é tradicionalmente reconhecido como o Mês Mundial de Conscientização da Infertilidade. A data foi instituída para estimular o debate e chamar a atenção sobre o distúrbio que acomete entre 50 a 80 milhões de pessoas em todo o mundo – só no Brasil são cerca de 8 milhões -, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em geral, as causas da infertilidade começam a ser investigadas após 12 meses de tentativas sem o uso de qualquer método contraceptivo. Se a mulher tem mais de 35 anos, o prazo para a investigação diminui para seis meses de tentativas de forma natural, já que a partir dessa idade sua capacidade reprodutiva diminui progressivamente. Porém, é importante esclarecer que a infertilidade não é um problema exclusivo da mulher: em 20% dos casos, os fatores dizem respeito ao casal, simultaneamente; 40% dos casos estão relacionados somente ao homem e os outros 40% à mulher.

Conforme explica o Dr. João Pedro Junqueira Caetano, ginecologista e especialista em reprodução assistida da clínica Huntington Pró-Criar, vários motivos podem ocasionar esse distúrbio. “Nas mulheres, os mais comuns são a síndrome do ovário policístico, a baixa reserva de óvulos, a endometriose e a obstrução nas trompas. Já nos homens, varicocele (dilatação das veias que drenam o sangue dos testículos, também chamada de varizes das veias testiculares), distúrbios hormonais e infecções que possam causar alterações nos espermatozoides, além da própria vasectomia, são considerados fatores. Pessoas com histórico de infertilidade na família ou que precisaram fazer quimioterapia ou radioterapia também têm um risco maior de ter perda na fertilidade”, afirma.

Vilões da fertilidade

Obesidade, cigarro, stress, consumo de bebidas alcóolicas, uso de drogas ilícitas, deficiência de vitaminas e vida sedentária também estão entre os fatores que podem impactar a saúde reprodutiva de homens e mulheres. Os chamados “vilões da fertilidade” são o mote de uma campanha criada pelo Grupo Huntington, com o objetivo de trazer informação e esclarecimento sobre os principais “agentes causadores” da infertilidade. “Aproveitando esse mês de conscientização, queremos alertar, de forma simples e direta, que o cuidado com a saúde e o bem-estar também influenciam na vida reprodutiva”, comenta Dr. João Pedro.

Tratamentos

As técnicas de reprodução assistida evoluíram muito desde o nascimento do primeiro bebê de proveta, em 1978. Hoje, existem diversos tratamentos de infertilidade disponíveis, como indução da ovulação, inseminação artificial, fertilização in vitro (FIV), ovodoação, congelamento de óvulos ou embriões (criopreservação), além do ICSI (técnica chamada de injeção intracitoplasmática de espermatozoide, em que um único espermatozoide, especialmente selecionado, é injetado em cada óvulo disponível). “Há menos de duas décadas, as taxas de sucesso da FIV, por exemplo, eram cerca de 20%. Atualmente, as clínicas brasileiras trabalham com uma taxa de até 50-60% de êxito nesse tipo de tratamento para pacientes até 34 anos”, ressalta o especialista da Huntington Pró-Criar.

Covid-19 e fertilidade

Nas mulheres, o impacto que o coronavirus pode causar na fertilidade ainda não é completamente conhecido. “O que se sabe até o momento é que o vírus não pôde ser identificado no sistema reprodutor da mulher, assim como na secreção, líquido amniótico ou peritoneal. Portanto, ainda não se pode afirmar que a doença pode ser prejudicial para a fertilidade feminina”, explica Dr. João Pedro.

Já diante da fertilidade masculina, a realidade é outra. Um artigo realizado por pesquisadores chineses e publicado na revista médica The Lancet , sugeriu que o vírus pode afetar o processo em que espermatozoides são produzidos. Além disso, ao comparar o sêmen de pacientes com Covid-19 e homens que não tinham a doença, algumas diferenças foram detectadas, como menor número de espermatozoides e aumento de células que indicavam processo infeccioso local. Esse processo infeccioso pode afetar a produção dos espermatozoides e interferir na fertilidade do homem, além de causar anomalias no esperma. “Até o momento esses impactos permanecem incertos. Estudos como esse mostram a importância da realização de mais pesquisas com um número maior de pessoas para que sejam confirmados tais resultados”, pondera o especialista.

Crédito da imagem: Freepik

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