Outubro Rosa: maternidade pode ser planejada mesmo com diagnóstico de câncer de mama

Prevenção e tratamentos devem ser prioridade, mas o congelamento de óvulos pode ser opção para gestação após superação da doença.

Os avanços da medicina contribuem significativamente para a qualidade de vida das mulheres antes, durante e após o tratamento contra o câncer de mama. Mas a fase em que o tumor é detectado tem forte impacto no sucesso do tratamento, como busca alertar a campanha do Outubro Rosa. E isso inclui o desejo da maternidade, que deve ser planejado, sem ignorar o acompanhamento da saúde da mulher por exames preventivos e, em casos necessários, os tratamentos recomendados.

Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Câncer (INCA) estimam que, em 2020, foram 66.280 mil novos casos e 18.068 mortes de mulheres pela doença. Esse é o tipo de câncer que mais mata mulheres no país, e a taxa de mortalidade é considerada alta, justamente, por causa do diagnóstico tardio.

“Quando a paciente recebe o diagnóstico de câncer, o primeiro ponto que deve ser discutido entre a paciente e o médico, sem dúvida, é o tratamento contra a doença. Mas, considerando o alto índice de cura do câncer de mama nos dias atuais, ela precisa ser informada de que, se tiver o desejo de ter filhos após superar o câncer, existem alternativas que devem ser definidas antes do tratamento”, explica a especialista em reprodução assistida, Cláudia Navarro.

Entre os principais tratamentos estão a quimioterapia e a radioterapia. Para as mulheres que se submeteram a tais procedimentos, a infertilidade pode vir a ser uma complicação. “Algumas drogas utilizadas na quimioterapia podem ser prejudiciais aos óvulos, levando a uma diminuição acentuada da reserva ovariana ou até mesmo à falência dos ovários”, acrescenta a médica.

A especialista ressalta que o congelamento de óvulos, processo que mantém o gameta feminino armazenado em nitrogênio líquido, podendo ser mantido por tempo indefinido, é uma opção que pode ser realizada antes do início da quimioterapia. “Então, quando a mulher estiver curada, em plenas condições de saúde, poderá recorrer ao processo de fertilização in vitro, utilizando os óvulos previamente congelados”, finaliza Cláudia Navarro.

Sobre Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em Medicina (obstetrícia e ginecologia) pela instituição federal. Atualmente, atua na área de reprodução humana, trabalhando principalmente os seguintes temas: infertilidade, reprodução assistida, endocrinologia ginecológica, doação e congelamento de gametas.

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