Variante Delta: congelar óvulos ou engravidar?

Pandemia faz com que mulheres adiem sonho da maternidade e leva a aumento da procura por congelamento de óvulos

A pandemia mudou os planos de todo mundo, literalmente. Mas não se trata apenas de viagens adiadas ou de passeios cancelados, muitas pessoas acabaram postergando o desejo de ter filhos. De acordo com a ginecologista e especialista em reprodução humana, Adriana de Góes, a procura por congelamento de óvulos no seu consultório, em São Paulo, aumentou mais de 50% neste primeiro semestre, em relação a 2020. “Ano passado, as famílias estavam com mais medo de sair de casa e também havia o fator econômico do país, ainda muito incerto. Agora, as mulheres que sonham em ser mãe decidiram procurar pelo congelamento de óvulos até que a Covid-19 não seja mais um risco. Atualmente, mais da metade da minha agenda é reservada para esse procedimento”, revela a doutora, que avalia que, além do desejo de adiar a gravidez, existe também uma demanda represada.

Embora a variante Delta não apresente maior risco para as gestantes, as novas cepas do coronavírus trazem um cenário ainda de incertezas em relação à pandemia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, as grávidas têm maior risco de desenvolver a forma grave da doença e são consideradas grupo de risco. “Ainda há uma série de estudos sendo realizada para entender melhor a ação do coronavírus no corpo da gestante, mas se elas apresentam comorbidades como obesidade e diabetes, a preocupação é ainda maior”, explica a Dra. Adriana.

As chances de um parto prematuro também aumentam nas gestantes infectadas pela Covid-19. “Como a grávida já tem uma limitação respiratória pelo grande volume uterino no terceiro trimestre, doenças com acometimento respiratório, como é o caso do coronavírus, agravam a situação. Além disso,  todo o quadro de infecção durante uma gestação, também já é um fator para prematuridade”, afirma.

Para fazer o congelamento de óvulos, são necessários exames que ajudem o médico a avaliar a saúde reprodutiva da mulher. Quanto antes o procedimento for feito, melhor, garante a profissional. Isso porque a qualidade dos óvulos diminui progressivamente com o avanço da idade. Calcula-se que, a partir dos 40 anos, um terço das mulheres já sejam inférteis.

Gravidez na pandemia

Embora o medo da pandemia e o próprio desejo de adiar uma gravidez tenham levado muitas mulheres às clínicas em busca de congelamento dos óvulos, a paciente deve avaliar com o seu médico os benefícios do tratamento e as consequências de um adiamento da gestação. Isso porque nem todas as mulheres têm o tempo a seu favor. É importante considerar que as chances de sucesso da inseminação in vitro diminuem para mulheres a partir dos 40 anos, e esperar talvez não seja uma opção. “As mulheres que não possuem esse tempo e querem engravidar podem e devem iniciar o tratamento o quanto antes, pois existe naturalmente uma janela de oportunidades. Por isso, digo para minhas pacientes que é seguro tentar uma gravidez agora, mesmo com a pandemia, apesar da necessidade de um cuidado redobrado”, finaliza Adriana de Góes.

Sobre a Adriana de Góes 

Formada em medicina pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas, a Dra. Adriana de Góes é referência em reprodução humana e especialista em fertilização in vitro, inseminação artificial e trombofilias. Mestre em Ginecologia Obstetrícia e Doutora na área de Tocoginecologia, pela Unicamp, a profissional tem cursos e experiência internacional, inclusive na IVI Foundation and IVI Clinic, em Valência, na Espanha. Além disso, faz parte da Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, da Sociedade Americana de Imunologia da Reprodução e da Sociedade Americana e Europeia de Reprodução Assistida. É autora de quatro livros sobre o tema, com o mais recente, Infertilidade e Gravidez – tudo o que você precisa saber sobre reprodução humana assistida, tendo sido lançado em agosto deste ano.

CRM-SP 96001

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