Endometriose: O que fazer para reduzir os impactos na fertilidade?

Especialista convidado pela Organon aponta as soluções para quem sofre com a doença

O diagnóstico definitivo de endometriose, geralmente, causa duas sensações nas mulheres: alívio por entender o motivo das cólicas incapacitantes e, para aquelas que ainda não têm filhos, medo, por acreditar que não conseguirão realizar o sonho de ser mãe. De fato, a doença é uma das possíveis causas de infertilidade feminina, embora nem todas as mulheres que a possuem sejam inférteis. Com o objetivo de esclarecer um pouco mais sobre a endometriose e de como reduzir os impactos causados na fertilidade para as que têm a patologia, a Organon conversou com o Dr. Carlos Alberto Petta, professor livre docente de ginecologia pela Unicamp.

De acordo com o especialista, cerca de 50% das pacientes com a doença têm dificuldade para engravidar e vão precisar de ajuda. “Consideramos infertilidade quando a mulher está há pelo menos um ano tentando engravidar, sem conseguir. Quando a paciente tem endometriose, haverá duas soluções: uma cirurgia para tratar a doença ou a fertilização in vitro (FIV)”, explica.

Para avaliar qual das opções será adotada, o ginecologista explica que há dois parâmetros principais: o risco de complicação para a saúde da mulher e a qualidade de vida da paciente. “Se a endometriose estiver afetando o intestino ou o ureter, em quadros mais graves, a paciente pode ter uma obstrução intestinal ou perder o rim. Este é um caso para cirurgia e não para fertilização in vitro. E quando a dor é muito forte, comprometendo a sua qualidade de vida, ela vai preferir operar primeiro para depois tentar engravidar”, conta Petta, acrescentando que a FIV tem uma chance maior de sucesso para a gravidez, porém não trata a doença.

O tratamento de reprodução assistida é indicado para as tentantes com endometriose em idade mais avançada (após 35 anos) ou para as que apresentam uma queda na reserva ovariana, que pode ser averiguada no exame Anti-Mulleriano. “O número de óvulos muitas vezes é comprometido pela presença de endometriose. Mulheres abaixo dos 35 anos têm uma chance de sucesso de 50 a 60% em uma fertilização e uma chance de até 85, 90% em três fertilizações”, afirma o especialista.

Segundo o Ministério da Saúde, a patologia afeta cerca de 10% da população feminina brasileira. A endometriose se caracteriza pela presença de endométrio fora do útero, em órgãos como bexiga ou intestino, por exemplo. O endométrio é o tecido que envolve a parte interna do útero, que o deixa preparado para receber a gestação quando há a fecundação. Se a gravidez não ocorre, o corpo elimina mensalmente esse endométrio por meio da descamação, durante o fluxo menstrual. Os principais sintomas da doença são: cólica menstrual intensa, dor na relação sexual, intestino solto durante a menstruação e dificuldade de engravidar.

Como o risco de infertilidade é real, o Dr. Carlos Alberto Petta faz um alerta para as mulheres com endometriose, que tenham possibilidades financeiras: guardem seus óvulos. “Na verdade, quase todo mundo que pode arcar com os custos deveria guardar seus óvulos, se não tem uma previsão imediata de gravidez, já depois dos 30 anos. Mas quem tem endometriose tem um risco maior de precisar de uma fertilização. Esses óvulos guardados mais precocemente, até os 35 anos, vão dar uma chance maior de gravidez do que o óvulos de quando ela tiver mais de 38 anos”, finaliza.

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