Ginecologista explica como ovário artificial tem sido um tratamento promissor para recuperar a fertilidade

A idealização dessa estratégia surgiu para proteger pessoas tratadas com câncer

Quando um câncer se manifesta, o foco imediato são os tratamentos disponíveis, muitos dos quais apresentam um impacto significativo no corpo humano, variando em agressividade conforme a gravidade do quadro clínico. Entre os procedimentos mais comuns, destacam-se a quimioterapia, radioterapia e intervenções cirúrgicas. Estas abordagens, embora vitais para combater a doença, acarretam efeitos colaterais prejudiciais à fertilidade dos pacientes e influenciam a concentração de folículos nos ovários e a contagem de espermatozoides.

Anualmente, entre 20 e 30 mil indivíduos diagnosticados com câncer encontram-se em idade reprodutiva e almejam a concepção, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Diante desse cenário, pesquisadores dedicam-se à busca das abordagens mais promissoras para preservar a fertilidade desses pacientes, sendo uma das alternativas em destaque o ovário artificial.

Segundo a ginecologista Dra. Klissia Pires, vice-diretora científica da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), os resultados deste método são encorajadores no que diz respeito à restauração da função hormonal ovariana e da fertilidade:

“O estudo Fertility Preservation: The Challenge of Freezing and Transplanting Ovarian Tissue mostra que após o reimplante do tecido ovariano na cavidade pélvica, a função hormonal foi restaurada em até 95% dos casos, com recuperação da fertilidade em 72% e gravidez espontânea em 40% dos casos”, afirma. “Pessoas de 0 a 40 anos podem realizar este tratamento e a vantagem é que não necessita de estimulação ovariana”, acrescenta.

A idealização dessa estratégia surgiu da necessidade de proteger as pessoas tratadas com câncer que fizeram a preservação da fertilidade por meio do congelamento de tecido do ovário. Em alguns casos, há o risco de reimplante de células malignas, no momento do transplante do tecido ovariano, já que esse tecido não recebeu o tratamento quimioterápico.

A especialista em saúde feminina destaca que o congelamento de tecido ovariano é recomendado em situações de câncer em crianças e em casos oncológicos que demandam quimioterapia imediata, impedindo a realização de estímulos ovarianos devido à urgência do tratamento. Ainda, diz que nesse caso ‘a desvantagem é que é necessário passar por um procedimento chamado videolaparoscopia para coletar o tecido do ovário’.

De acordo com o estudo Design and Application Strategies of Natural Polymer Biomaterials in Artificial Ovaries, para criar um ovário artificial, é preciso uma estrutura que abrigue os chamados ‘folículos primordiais’. Esse método, que imita o ambiente do tecido natural do ovário, contribui para taxas mais elevadas de sobrevivência e desenvolvimento desses folículos, o que favorece o crescimento dos mesmos.

“A expectativa de longo prazo é que a técnica evolua a ponto de se popularizar e se tornar mais uma estratégia de preservação da fertilidade entre as opções já consagradas. Terá a vantagem de propiciar o retorno da função hormonal ovariana nas mulheres que entrarem em falência ovariana prematura, além da possibilidade de gravidez espontânea”, finaliza a vice-diretora científica da AMCR.

Sobre a Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR)

A AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil – é uma entidade sem fins lucrativos, suprapartidária. Fundada em março de 2021, pela médica ginecologista, Prof. Dra. Marise Samama, possui 47 associadas, pós-graduadas da área da saúde, distribuídas em todas as regiões do Brasil. A associação é fruto da vontade dessas mulheres (cientistas, médicas, biomédicas e profissionais de saúde), que defendem a igualdade de oportunidade entre gêneros, reconhecimento e valorização da mulher e da ciência e atuação das mulheres nas áreas de saúde feminina e Reprodução Humana. Para saber mais informações, acesse o site.

Imagem: freepik

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