Mais de 630 mil embriões congelados no Brasil levantam debate sobre destino e dilemas éticos

Armazenamento crescente em clínicas de reprodução assistida expõe desafios legais, emocionais e culturais entre pacientes

O Brasil pode ter mais de 630 mil embriões congelados em clínicas de reprodução assistida, segundo dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio). O volume crescente, impulsionado pelo avanço da fertilização in vitro (FIV), tem ampliado o debate sobre o destino desses embriões e os dilemas envolvidos nas decisões dos pacientes.

De acordo com especialistas, o armazenamento de embriões faz parte do próprio processo da FIV, mas muitos acabam não sendo utilizados após a formação da família.

Segundo a ginecologista e presidente da Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR), Profª Dra. Marise Samama, os casais já definem previamente o destino dos embriões segundo cada serviço.

“Os casais assinam um contrato no qual estabelecem o que será feito com os embriões, incluindo a possibilidade de descarte e criopreservarçao. Ainda assim, o abandono de embriões, quando os pacientes deixam de pagar pela manutenção da criopreservação, é uma realidade”, afirma.

Uma das alternativas ao descarte é a doação de embriões para outros casais, prática que tem ganhado espaço nos últimos anos.

“Há, sim, aumento na procura pela doação de embriões, até porque o processo dispensa etapas como a estimulação ovariana, o que reduz custos e complexidade”, explica a especialista.

Apesar disso, a doação ainda enfrenta resistência significativa por parte dos pacientes, muitas vezes por questões emocionais ou culturais.

“A maioria dos casais não quer doar. Muitos têm receio, inclusive por questões religiosas relacionadas ao descarte ou ao destino desses embriões”, destaca.

No Brasil, o destino dos embriões é regulamentado por normas específicas, que exigem o consentimento prévio dos pacientes.

“Existe uma resolução que determina que os casais assinem um termo de consentimento livre e esclarecido, no qual definem o destino dos embriões”, explica.

Atualmente, as opções incluem o uso próprio em tentativas futuras, a doação anônima para outros pacientes ou o descarte.

Para a Dra Marise, o debate sobre o destino dos embriões não deve acontecer apenas após o tratamento, mas desde o início do processo.

“É fundamental discutir com o casal o número de embriões que serão gerados, considerando fatores como idade e diagnóstico de infertilidade”, afirma a médica.

Segundo a AMCR, esse planejamento pode evitar decisões difíceis no futuro e contribuir para um uso mais consciente das técnicas de reprodução assistida.

Sobre a Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil (AMCR)

A AMCR – Associação Mulher, Ciência e Reprodução Humana do Brasil – é uma organização composta exclusivamente por mulheres, pós-graduadas na área da saúde e reprodução humana, que compartilham o mesmo propósito: disseminar o conhecimento científico em ginecologia e reprodução humana por meio de uma comunicação clara e acessível a todas as mulheres. A entidade também atua na defesa da igualdade de oportunidades entre gêneros e na valorização da atuação feminina na ciência voltada à saúde da mulher. Fundada em março de 2021 pela Prof. Dra. Marise Samama, a associação conta hoje com 50 integrantes, distribuídas por todas as regiões do Brasil. Para mais informações, acesse o site.

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