Maternidade e câncer de mama

Alternativa para preservar a fertilidade deve ocorrer antes do tratamento contra o câncer

O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres, em todo o mundo. Segundo o Instituto Nacional de Câncer – INCA, para 2023, foram estimados 73.610 casos novos no país, o que representa uma taxa ajustada de incidência de 41,89 casos por 100.000 mulheres. E, a idade média dos pacientes com esse tipo de doença é acima dos 60 anos. Contudo, o Brasil vem registrando um aumento importante no número de casos de câncer de mama entre mulheres jovens.

De acordo com estudo realizado pelo Instituto de Câncer do Estado de São Paulo (Icesp), unidade do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, a proporção de pacientes com menos de 40 anos foi de 7,9% em 2009, para 21,8% em 2020.

Nesses casos, em mulheres jovens que ainda não tiveram sua prole definida, a preservação da fertilidade é um desafio terapêutico adicional. “A possibilidade de uma gravidez futura é uma dúvida que aflige as jovens afetadas pelo câncer de mama”, destaca a especialista em Reprodução Assistida, Cláudia Navarro..

Segundo ela, a resposta está na medicina, que trabalha pelas pessoas, por suas esperanças, sonhos e desejos. Além de as chances de cura serem cada vez mais altas no caso do câncer de mama, na medicina, a mulher encontra também respostas para o sonho de se tornar mãe após um tratamento bem-sucedido contra o tumor maligno: o congelamento de óvulos e fertilização.

“O congelamento de óvulos (criopreservação) é uma alternativa que deve ser ofertada à mulher antes do tratamento contra o câncer. Isso porque, as terapias que envolvem o combate ao tumor maligno, principalmente a quimioterapia, podem impactar na fertilidade, de forma que uma concepção natural seja dificultada posteriormente”, alerta a médica.

Para fazer o congelamento, os óvulos são coletados após uma indução da ovulação. Isso é feito com medicamentos seguros, que não irão piorar a doença. E, na maioria das vezes, o atraso no início da quimioterapia, tempo necessário para o congelamento, não irá trazer prejuízos ao tratamento.

Vale ressaltar que a mulher que opta pelo congelamento não precisa ser casada ou ter um parceiro. “A decisão de uma gravidez fica a cargo dela, após o tratamento contra o câncer, podendo contar com um doador anônimo, por exemplo”, diz Cláudia.

O gameta feminino ficará, assim, armazenado para quando a mulher estiver em plenas condições de saúde para engravidar, quando então, seus óvulos, previamente congelados, irão passar pelo processo de fertilização in vitro (FIV) – ou seja, em laboratório, gerando embriões que serão transferidos para o útero dela.

Por fim, vale lembrar que nenhum tratamento, até o momento, é capaz de apresentar uma garantia total para uma gravidez futura, mas os resultados têm sido cada vez mais satisfatórios. Essas são algumas das respostas da medicina para o sonho da maternidade após a turbulência do câncer de mama. “Quando a medicina apresenta esse tipo de alternativa, de cuidado, de zelo com a mulher que ainda deseja gerar um filho, vem também uma visão, uma esperança pelo fim do tratamento bem-sucedido, com uma nova vida de saúde, ao lado da família e de quem estará no ventre, para chegar”, diz Cláudia Navarro.

 Sobre Cláudia Navarro

Cláudia Navarro é especialista em reprodução assistida. Graduada em Medicina pela UFMG em 1988, titulou-se mestre e doutora em Medicina (obstetrícia e ginecologia) pela instituição federal. Atualmente, atua na área de reprodução humana, trabalhando principalmente os seguintes temas: infertilidade, reprodução assistida, endocrinologia ginecológica, doação e congelamento de gametas.

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