No Mês da Mulher, teste molecular marca avanço do Brasil no rastreio do HPV

A nova diretriz do Ministério da Saúde reforça o papel do diagnóstico de alta precisão na prevenção do câncer do colo do útero e na preservação da saúde reprodutiva

 

A decisão do Ministério da Saúde de adotar o teste de DNA-HPV como método primário para o rastreamento do câncer do colo do útero representa um avanço nas estratégias de prevenção da doença no Brasil. A medida marca uma mudança em relação ao modelo tradicional, baseado, principalmente, na citologia, ampliando o uso de tecnologias moleculares capazes de identificar o vírus antes mesmo do surgimento das lesões. No contexto do Mês da Mulher, a atualização das diretrizes reforça o papel da inovação diagnóstica na promoção da saúde feminina, com impactos diretos na preservação da fertilidade, ao permitir intervenções mais precoces e menos invasivas, além de contribuir para a redução da incidência de um dos tipos de câncer que mais afetam o público em questão no país.

 

Segundo a bióloga, mestre em Genética e Genômica e assessora científica da Biomédica, Thaís Ignez, a incorporação do teste molecular representa uma evolução nas políticas públicas de rastreio. “Ao adotar métodos mais sensíveis e eficazes para a detecção do HPV, o Ministério amplia a qualidade do rastreamento, fortalece as estratégias de combate ao câncer do colo do útero e contribui para a proteção da saúde reprodutiva das mulheres”, afirma. Ainda de acordo com ela, os exames baseados em biologia molecular permitem identificar, diretamente, o material genético do vírus em amostras clínicas, possibilitando, inclusive, a genotipagem dos tipos de HPV associados a baixo e alto risco oncogênico.

 

Essa característica torna o método mais preciso em comparação à citologia tradicional, uma vez que permite detectar a presença do vírus antes da formação das lesões cervicais. “A maior sensibilidade dos testes moleculares contribui para reduzir a ocorrência de falsos negativos e ampliar a capacidade de identificar, precocemente, mulheres em risco”, explica a especialista. A detecção antecipada também possibilita um acompanhamento mais próximo das pacientes, permitindo monitorar a evolução da infecção e adotar estratégias de intervenção quando necessário, algo fundamental para evitar tratamentos mais agressivos no futuro, podendo impactar a fertilidade. Isso também contribui para evitar a progressão para lesões precursoras e para o próprio câncer.

 

Para o médico infectologista, pós-doutor em Infectologia e Citopatologia e pesquisador da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Marco Zonta, a adoção da genotipagem como estratégia de rastreio amplia a capacidade do sistema de saúde de identificar, precocemente, o agente responsável pela doença. “A mudança traz maior abrangência e facilidade para ampliar o rastreamento a um número maior de mulheres, garantindo a identificação dos HPVs de alto risco, especialmente o tipo 16, principal agente associado ao câncer do colo do útero”, explica. Segundo ele, quando o resultado é negativo, a mulher passa a ter uma margem de segurança de, pelo menos, cinco anos, o que também contribui para otimizar a organização do sistema de saúde, ampliar o acesso ao cuidado e favorecer o planejamento reprodutivo com mais segurança.

 

Impactos para o setor de diagnóstico

 

A atualização das diretrizes traz impactos diretos para o setor de diagnóstico. Os laboratórios e os gestores de saúde precisarão adaptar alguns processos, investir em novas tecnologias e capacitar as suas respectivas equipes para a realização dos testes moleculares. O movimento tende a impulsionar a modernização da área, estimulando investimentos em equipamentos mais avançados, infraestrutura adequada e qualificação profissional, com reflexos positivos também no cuidado integral à saúde da mulher, incluindo a saúde reprodutiva.

 

Embora muitos laboratórios brasileiros já possuam infraestrutura adequada para a realização dos testes moleculares, a ampliação da demanda deverá acelerar o processo de adaptação em outras instituições. A expectativa é de que, com o avanço dessas iniciativas, os serviços estejam preparados para incorporar tais metodologias à rotina diagnóstica, fortalecendo as estratégias de prevenção, rastreamento e monitoramento de doenças que podem impactar, direta ou indiretamente, a fertilidade feminina.

 

Nesse cenário, a biologia molecular ganha protagonismo ao viabilizar exames mais sensíveis, rápidos e confiáveis. A transformação representa uma oportunidade de ampliar o acesso às tecnologias de alta precisão voltadas à saúde da mulher e à medicina reprodutiva, apoiando hospitais e laboratórios na adoção de métodos alinhados às melhores práticas internacionais, contribuindo para tornar o rastreamento mais preciso, ampliar a prevenção e melhorar os desfechos em saúde feminina.

 

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