Nos bastidores da FIV: como os embriões são avaliados e o que pode influenciar o sucesso do tratamento

Classificação embrionária, teste genético, congelamento e tecnologias como EmbryoGlue ajudam a individualizar o tratamento e esclarecer as chances reais de implantação

O sucesso de uma fertilização in vitro depende de uma série de etapas delicadas e tecnicamente exigentes — e muitas delas acontecem no laboratório, longe dos olhos dos pacientes. A classificação embrionária, por exemplo, avalia o desenvolvimento e a morfologia dos embriões, auxiliando na escolha dos mais promissores para a transferência.
“É como dar uma nota para o embrião, com base em critérios técnicos. Mas vale lembrar que até embriões considerados menos ‘bonitos’ podem gerar gravidez. A classificação é uma ferramenta de apoio, não uma garantia”, explica a Dra. Camille Risegato, ginecologista e especialista em reprodução assistida.
Nem todos os óvulos fertilizam e se desenvolvem — e isso é esperado. “Alguns embriões param ainda nos primeiros dias. Isso já aconteceria naturalmente dentro do corpo da mulher. O laboratório apenas torna esse processo visível”, diz.
Outra decisão comum é optar pelo congelamento dos embriões antes da transferência. “Isso permite preparar melhor o útero da paciente e evitar complicações, como a síndrome de hiperestímulo ovariano. E com as técnicas atuais, os embriões congelados mantêm excelente qualidade”, explica a médica.
Em alguns casos, o teste genético (PGT-A) pode ser indicado para identificar alterações cromossômicas. “É uma estratégia útil, especialmente em mulheres acima dos 37 anos ou casais com histórico de abortos. Pode evitar tentativas frustradas”, afirma.
Sobre o número de embriões necessários até o nascimento, a médica esclarece: “Nem todo embrião vira bebê. Em média, são necessários entre 5 e 7 embriões para um nascimento, especialmente em mulheres acima dos 35 anos. Cada caso é único.”
Recursos como o EmbryoGlue também podem ser considerados. “É um meio de cultura com ácido hialurônico, que ajuda o embrião a se fixar no útero. Pode ser útil em casos selecionados, como transferências de embriões congelados ou falhas anteriores”, finaliza.

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