Nutrição adequada na Prematuridade é fundamental para o desenvolvimento da criança

Brasil é o 10º do mundo com maior número de bebês prematuros; pesquisa alerta para o aumento silencioso e global dessa condição, uma das principais causas de morte na infância

O nascimento de bebês prematuros foi declarado como uma emergência global silenciosa pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após apresentação do relatório da entidade em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), publicado neste ano. Na última década, foram registrados 152 milhões de partos de bebês prematuros no mundo. O dado merece atenção, já que a prematuridade se tornou a principal causa de mortes na infância. A condição representa um de cada cinco óbitos antes dos 5 anos de idade.

Em nosso país nascem por ano 340 mil bebês antes da 37ª semana de gestação (36 semanas e 6 dias), condição que determina a prematuridade. Essa alta incidência coloca o Brasil no 10º lugar em relação às nações com maior número de prematuros do mundo.

Entre os principais fatores de risco para a prematuridade estão a gravidez na adolescência, infecções, alimentação inadequada e doenças, como por exemplo, a hipertensão na gestação. Um bebê prematuro pode apresentar uma série de condições de saúde, como problemas respiratórios, cardíacos, intestinais, entre outros.

De acordo com Dr. Danilo Klein, médico nutrólogo pela Universidade Federal Fluminense e gerente médico da Baxter, um dos desafios neste período é garantir a nutrição adequado para o recém-nascido: “O bebê que nasce antes do tempo esperado não teve tempo suficiente para acumular os nutrientes necessários para seu desenvolvimento via placenta e, assim sendo, poderá estar mais exposto a doenças”.

Outro ponto de atenção está relacionado às dificuldades de sucção e deglutição dos prematuros, tendo em vista que o trato gastrointestinal ainda é considerado imaturo e, portanto, não está preparado para absorver o volume de nutrientes presente no leite materno.

Para esclarecer as dúvidas sobre a nutrição na prematuridade, o Dr. Klein listou alguns mitos e verdades sobre essa fase da vida.

O bebê só é considerado prematuro quando nasce antes das 37 semanas de gestação?

Verdade.  A Organização Mundial da Saúde classifica que todo bebê que nasce com menos de 37 semanas de gestação (até 36 semanas e 6 dias) é considerado prematuro. Os bebês prematuros podem ser classificados de acordo com a idade gestacional ao nascer. Os bebês prematuros extremos são os que nascem antes das 28 semanas, os muito prematuros entre 28 semanas e 31 semanas e 6 dias e os moderados ou tardios são os que nascem entre 32 semanas e 36 semanas e 6 dias de gestação.

A nutrição é menos importante que a oxigenação para um prematuro?

Mito. A nutrição é tão importante quanto à oxigenação e qualquer outro cuidado que a gente tem com o bebê prematuro dentro da UTI. É um cuidado integral que envolve desde a nutrição, a oxigenação até protocolos de neuroproteção e cuidados centrados na família. A nutrição desempenha um papel essencial para o desenvolvimento do recém-nascido, é por meio dela que o bebê irá obter os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento.

O bebê prematuro também pode ser amamentado?

Verdade. O bebê prematuro não só pode como deve ser amamentado sempre que possível e desde que não se tenha situações específicas que contraindiquem o aleitamento materno. Quanto mais prematuro, mais tarde ele vai mamar no seio materno, porém durante a sua internação é realizado a extração do leite materno e a colostroterapia (técnica que utiliza o colostro, leite produzido na primeira fase da amamentação. No hospital, o recém-nascido recebe, a cada três horas, 0,2ml desse leite), desde as primeiras horas de vida.

O leite materno é fundamental e é durante a internação que o prematuro passa pelo processo de desenvolvimento, amadurecimento e crescimento. É por meio dele que o bebê prematuro irá adquirir propriedades imunoprotetoras, que são importantíssimas para o desenvolvimento de sua imunidade.

O leite materno é a melhor forma de alimentação e apenas ele é suficiente para nutrir um bebê prematuro?

Mito. Os recém-nascidos prematuros apresentam alto risco de déficit de crescimento pós-natal, por isso a terapia nutricional é um aspecto importante dentro da UTI Neonatal. Nos primeiros dias de vida, o prematuro passa por algumas fases de adaptação onde a nutrição parenteral – terapia nutricional inserida no bebê diretamente pela veia (via endovenosa), pode ser necessária e exercer papel fundamental para garantia da saúde, visto que o seu intestino ainda não está preparado para absorver o volume grande de nutrientes.

Já a nutrição enteral (através de sonda orogástrica) deve ser iniciada o mais precocemente possível, a depender da condição clínica do bebê. O leite materno é o alimento de escolha, e sempre que possível deve ser oferecido para o bebê. Dependendo da necessidade nutricional desse prematuro, para o adequado crescimento, pode ser necessário colocar um aditivo do leite materno, aumentado a quantidade de proteína, caloria, cálcio e fosforo. Na ausência ou impossibilidade de oferecer o leite materno, as fórmulas para prematuros podem ser utilizadas.

O bebê prematuro é mais vulnerável às doenças?

Verdade. A parte imunológica do prematuro ainda é imatura, por isso ele tem mais risco de desenvolver infecções bacterianas, fúngicas e virais durante a internação na UTI neonatal. Após a alta hospitalar uma das principais causas de reinternação são problemas respiratórios, geralmente por causas virais. Por isso destaco a importância dos cuidados da equipe multidisciplinar durante toda a internação e dos cuidados gerais de toda a família, além da importância da vacinação dos bebês durante a internação e no pós-alta, seguindo o calendário vacinal do prematuro (PNI, SBP e SBIM). Importante também a vacinação dos contactantes desses bebês, com destaque para as vacinas contra gripe e coqueluche.

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