Por que a infertilidade ainda é um tabu na sociedade?

Mestre em reprodução humana, Matheus Roque, aponta fatores sobre a doença marcada pelo mês de junho como o da conscientização sobre a causa

Apesar de atingir milhões de pessoas ao redor do mundo, a infertilidade é uma doença pouco debatida e divulgada. Existem condições da vida que podem favorecer que a pessoa nasça infértil, como doenças pré-existentes ou alterações no DNA ou condições de vida que são adquiridas ao longo dos anos como hábitos ruins, por exemplo, tabagismo, uso excessivo de álcool, obesidade, entre outras causas. Mesmo assim, a doença é um tabu para grande parte da população, principalmente para os homens.

Matheus Roque, mestre em medicina reprodutiva, explica que um casal é considerado infértil quando as tentativas para engravidar naturalmente não possuem sucesso após um período de 12 meses.

“É importante ressaltar que em cerca de 10 a 15% dos casais que apresentam infertilidade, não há uma causa encontrada para o quadro. Já sobre casais que descobrem, um terço é relacionado a fatores masculinos, um terço a fatores femininos e o restante a associação desses fatores”, explica Roque.

A desinformação e o medo do julgamento da sociedade podem ser fatores que afastam a população de procurar tratamentos e informações sobre a fertilidade.

Qual a importância?

O médico afirma que com o assunto em evidência mais pessoas busquem ajuda, o que pode colaborar na rapidez do diagnóstico e nos melhores resultados dos tratamentos.

“Foca-se muito na mulher nesses casos, mas normalmente elas estão mais ligadas em assuntos relacionados à saúde reprodutiva. É preciso difundir esse assunto nas rodas de conversas masculinas, pois existe uma dificuldade muito grande do homem reconhecer que ele pode possuir algum tipo de problema, que pode estar interferindo na fertilidade conjugal”, explica o mestre em medicina reprodutiva.

Como identificar

A infertilidade conjugal é identificada pelo tempo de tentativa de gravidez sem sucesso. Os exames a serem realizados tanto no homem quanto na mulher, visam procurar uma causa desta infertilidade.

Segundo Roque, para identificar um possível quadro de infertilidade masculina, o espermograma é a melhor forma de avaliar. Ele é um exame laboratorial capaz de avaliar as condições, qualidade e quantidade de espermatozoides presentes no indivíduo.

Para avaliar quadros femininos, exames laboratoriais e de imagem são utilizados para tentar identificar uma possível cauda da infertilidade.

“Ter acompanhamento médico é fundamental, assim como se consultar com um especialista em reprodução humana após 1 ano de tentativas de engravidar sem sucesso. Caso a mulher já tenha passado dos 35 anos, a recomendação é que procure por uma avaliação após 6 meses de tentativas de engravidar sem sucesso”, ressalta.

Após a identificação da infertilidade e sua possível causa, o médico especialista poderá definir qual a melhor forma de tratar a doença e direcionar o paciente para tratamentos de reprodução humana, caso seja necessário.

“Na maioria das vezes, tratamentos de fertilização in vitro são os mais utilizados. Mas dependendo de caso a caso, outras formas podem ser utilizadas para potencializar as chances de gestação natural”, finaliza o médico.

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