Porta-voz e personagens sobre reprodução assistida para casais trans

No caso das pessoas transgênero, a infertilidade ou mesmo a esterilidade podem aparecer como consequência de tratamentos de reafirmação de gênero, seja por procedimentos cirúrgicos ou tratamentos hormonais

A maioria das pessoas considera, em algum momento da vida, ter filhos. Para muitos, constituir família pode ser uma meta importante para sua realização e felicidade. No caso de pessoas transexuais que desejam optar pelo método biológico, é aconselhável que essa abordagem seja feita antes de iniciar qualquer tipo de processo de modificação corporal, seja ele hormonal e/ou cirúrgico. Por esse motivo, é importante ter bons conselhos sobre reprodução e fertilidade em pessoas trans.

Lembrando que a Organização Mundial da Saúde (OMS) define a saúde reprodutiva como um estado completo de bem-estar físico, mental e social e que implica a capacidade de reprodução e a liberdade de decisão de uma pessoa. Também reconhece o direito à assistência médica às pessoas com desejo reprodutivo que, sem intervenção tecnológica ou médica, não poderiam se reproduzir, aludindo e protegendo o grupo de pessoas com diferentes orientações sexuais LGBTIQ+.

Existe um tempo recomendado para preservação da fertilidade em pessoas transexuais?

Tratamentos reprodutivos para preservar a fertilidade em pacientes transgêneros podem entrar em conflito com sua identidade de gênero quando submetidos ao tratamento hormonal do sexo com o qual nasceram. Portanto, é aconselhável optar pela preservação da fertilidade ao iniciar a terapia hormonal de mudança de sexo.

O ginecologista e obstetra Caio Parente Barbosa, do Instituto Ideia Fértil de Saúde Reprodutiva, afirma que o tabu envolvendo casais trans ainda é grande e o problema está na falta de acolhimentos de qualidade para os casais. Por isso, reitera a importância do treinamento de profissionais, assim como a de vencer as barreiras e o preconceito.

“Na realidade, a medicina reprodutiva pode auxiliar esses casais de muitas formas. Uma das coisas mais importantes é a preservação da fertilidade para aquelas pessoas que vão fazer a sua transformação, que vão fazer resignação de sexo”, explica.

É que, no caso, as pessoas transgênero – que optaram por tratamentos reafirmadores de gênero (cirúrgicos e hormonais) -, podem sofrer infertilidade ou mesmo esterilidade como consequência deles. Por isso, costuma-se discutir a possibilidade de ser mãe/pai antes do tratamento, ocasião em que são expostas e discutidas as diversas opções de preservação da fertilidade.

“A grande questão é que os hormônios que se usam no momento da suspensão levam um tempo, mas o seu efeito cessa, então essa seguramente é a maior dúvida”, explica Caio Parente Barbosa.

Pouca informação, muito preconceito

Igor (agênero) e Luiza querem fazer fertilização in vitro (FIV) e, por isso, Igor vai parar de tomar hormônio para ter uma boa qualidade dos óvulos. O casal, que mora no Rio de Janeiro, teve bastante dificuldade para entender qual seria o melhor caminho e como fazer isso.

Porém, eles encontraram o Instituto Ideia Fértil, onde vão realizar o procedimento. Em dezembro de 2022, Igor parou de tomar hormônios e em abril vai tirar o óvulo para depois ser feito o procedimento de implantação em Luiza, daqui alguns anos.

Lembrando que, em 2013, o Conselho Federal de Medicina (CFM) autorizou os casais homossexuais a gerarem filhos através da reprodução assistida. Em 2021 tiveram novas atualizações e pacientes transgêneros foram adicionados na legislação, podendo assim utilizar de tratamentos de Reprodução Humana Assistida se apresentando com o gênero que se identificam.

Igor compartilha que essa é uma dúvida comum de casais LGBTQIA+, além do preconceito das pessoas e desconhecimento dos profissionais a respeito, principalmente com casais trans.

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