Reprodução humana auxilia casais LGBTS a terem filhos com suas genéticas

De acordo com o IBGE, o número de casamentos entre pessoas LGBTQIAPN+ cresceu no Brasil e superou o número de casamentos héteros em 2022, chegando a 11 mil registros. Os números foram divulgados no primeiro trimestre de 2024 e representam o maior número de uniões homoafetivas desde que a resolução do Conselho Nacional de Justiça garantiu o direito à comunidade de poder participar do casamento civil.

Isso contribuiu para que os casais homoafetivos avançassem cada vez mais com outros grandes objetivos, como o de constituir uma família tendo filhos que pudessem carregar o material genético de ambos. Com os avanços da ciência atrelados com a medicina reprodutiva cada vez mais casais conseguem chegar a esse objetivo sem precisar recorrer a métodos proibidos no Brasil, como no caso da barriga de aluguel, e também sem precisar ficar tantos anos na fila da adoção.

A Dra Daiane Pagliarin, especialista em reprodução humana da Nilo Frantz Medicina Reprodutiva e também especialista em casos de reprodução para casais LGBTs explica as principais formas que os participantes da comunidade podem conseguir realizar o sonho da parentalidade.

“Os mais conhecidos são a Inseminação Artificial e a fertilização in vitro. Elas são as mais comuns para casais homoafetivos femininos que desejam engravidar. Na inseminação artificial, o esperma de um doador é inserido diretamente no útero da pessoa que irá gestar. Enquanto na FIV, os óvulos são fertilizados com esperma em laboratório, e os embriões resultantes são transferidos para o útero da mesma pessoa que fez a estimulação ovariana ou na sua parceria. Isso contribui para que elas consigam ter um filho biológico, utilizando a genética das duas parceiras. Os espermas doados podem ser de conhecidos ou de doadores anônimos”, explica a especialista.

Daiane explica que o útero de substituição é a melhor opção para casais homoafetivos masculinos. Vale lembrar que a barriga de aluguel, procedimento no qual a mulher que concede a barriga para gestar recebe um pagamento pelo ato, é proibido no Brasil.

“No útero de substituição, um embrião gerado por fertilização in vitro usando o esperma de um dos parceiros e o óvulo de uma doadora, é implantado no útero de uma pessoa gestante substituta. Nesse procedimento pode ser utilizado o material genético de um dos pais ou então de dois, caso seja utilizado o esperma de um e o óvulo com um grau de parentesco do outro, gerando assim uma criança com a genética dos dois pais”, explica a especialista.

Outra forma de tratamento, segundo Pagliarin, é a recepção de óvulos ou esperma.

“Esse procedimento contribui com os casais LGBTQIAPN+ que não podem fornecer seus próprios óvulos ou esperma, dessa forma eles podem recorrer a doadores para ajudar no tratamento”, explica.

Para os trans também existe a possibilidade de ter filhos biológicos, a especialista explica que em caso de mulheres trans pode-se preservar a fertilidade coletando e congelando seus espermas.

“Para isso é necessário realizar o procedimento antes de iniciar a terapia hormonal com estrogênios e antiandrogênicos, já que eles podem reduzir significativamente a produção de esperma. A pessoa pode optar por fornecer amostras de sêmen e essas amostras são então congeladas e armazenadas em bancos de esperma que poderá ser descongelado no futuro”, afirma Pagliarin.

Em homens trans, o processo é o mesmo, a preservação da fertilidade envolve a coleta e armazenamento de óvulos que devem ser coletados antes de iniciar a terapia hormonal com testosterona. Os hormônios podem afetar a qualidade dos óvulos que serão congelados.

Ao decidirem que é o momento certo para tentar a parentalidade, o casal deve procurar uma clínica especializada em reprodução humana para que o caso seja estudado e as melhores formas de tratamento apresentadas. Apesar de ainda existir trâmites jurídicos em relação a isso, a cada ano, a comunidade LGTQIAPN+ vem conquistando espaços e direitos que tornam cada vez mais possíveis objetivos que pareciam antes tão distantes.

 

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